Consultor da CNI destaca a importância do conhecimento tributário na empresa

1 de julho de 2013 por   -  Sem comentários

A tributação, o olhar atento e as ações responsáveis do empresário sobre esse setor na empresa foi um dos atrativos do Dia do Empresário da Indústria, realizado pela Fieto, em Araguaína, dia 27. O assunto foi tratado na palestra ministrada pelo consultor Vicente Sevilha, da Confederação Nacional da Indústria – CNI, parceira da realização.

Na entrevista a seguir, Sevilha destaca pontos importantes que o empresário da atualidade precisa considerar quando se trata de tributação.

Sigto – Você falou durante a palestra que o empresário precisa olhar o tributo com importância. Como é isso?

Vicente Sevilha, consultor da CNI

Vicente – O empresário de maneira geral tem certa vontade de não conviver com o tributo. Se ele pudesse, preferiria fugir e não olharia para o assunto. O que levo de alerta para as pessoas com quem falo é que a postura tem que ser ao contrário. Por menos que você goste, você precisa ter conhecimento de como funciona o sistema tributário e participar junto com seu advogado, contador, consultor da gestão dos tributos. Isto é uma ferramenta que vai te levar a economizar bastante o tributo, que é um item que vai representar diferença no seu negócio.

Sigto – ele tem que acompanhar a tributação da empresa, já que o contador faz apenas parte do trabalho?

Vicente – O contador é parte fundamental. Uma empresa não pode viver sem um. Um empresa que tem um bom contador e que o gestor entende de tributos ele consegue dar um passo a frente de seu concorrente.

Sigto – Você disse, durante a palestra, que não é mais uma opção, sonegar imposto…

Vicente – O Sistema Público de Escrituração Digital – Sped, é um mecanismo que o governo criou, que tem vários braços, a nota fiscal eletrônica é um pequeno pedaço do Sped, mas que envolve declaração de imposto de renda eletrônico, escrituração fiscal digital, controle de contabilidade das empresas e que permite ao governo saber o que o empresário está fazendo. Às vezes o governo tem mais informações da empresa do que o próprio empresário. Então, com esta ferramenta, o governo inibe a sonegação de maneira brutal e hoje, o empresário não pode nem mais ter essa vontade de sonegar. Ele tem que saber administrar o importo para saber ser competitivo.

Sigto – Por que você considera o importo um evento extremo?

Vicente – Existem muitos eventos que fazem a diferença na nossa vida e na vida das empresas, e evento que fazem menos diferença. Entendo que às vezes o empresário se confunde: ele dá importância para coisa de menor importância, então ele vai cuidar de coisas que são menos relevantes no seu negócio e não cuida de um assunto tão importante quanto é o tributo. Então, um exemplo que usei, que é extremo também, às vezes o empresário está preocupado em cortar o copinho descartável, cortar o café, diminuir a quantidade de papel que se gasta na impressora e não gasta energia para entender e economizar tributos.

Sigto – Você relatou que há anos atrás, na época da inflação desenfreada, o empresário ganhava dinheiro não com o negócio, mas com a especulação. Como era isso, num comparativo com a atualidade?

Sevilha: "Sucesso e sindicalização, da maneira como enxergo, andam juntos"

Vicente – Primeiro, naquele tempo a gente não tinha concorrência global como é hoje em dia. Você só era concorrente do sujeito que estava no quarteirão onde você estava. Isso permitia que você fosse menos eficiente, já existia uma necessidade de eficiência menor. E com a inflação, tinha a ferramenta da especulação financeira para completar os ganhos. Então, “é preço do produto subia”. É porque você aplicava no banco e o valor daquela aplicação rendia então você conseguia fechar a conta mais facilmente. Isso formou uma geração de empresários despreparados para serem eficientes. Com o fim da inflação, com a chegada do Sped, que elimina a possibilidade de sonegação, e a competição global que a gente vive o empresário não tem outra alternativa, além de ser eficiente. Ele tem que ser plenamente eficiente, inclusive na gestão tributária.

Sigto – Como é a questão dos caminhos tortos e dos desafios das empresas para chegarem ao sucesso?

Vicente – Escrevi um livro que se chama Assim Nasce Uma Empresa, onde conta um pouco sobre essa jornada. Quem opta por ser empreendedor, opta por enfrentar obstáculos. O tempo todo você faz planejamentos, que na execução não são idênticos com o que você planejou. E esta capacidade de se adaptar, de desviar de caminhos, de perseverar é o principal atributo de um empresário de sucesso.

Sigto – Sucesso e sindicalização andam juntos?

Vicente – Sucesso sindicalização, da maneira como enxergo, andam juntos. O sistema associativo, através do sindicato patronal, da Federação da Indústria, através da Confederação Nacional da Indústria, é o sistema que permite a troca de conhecimento. Outros empresários que trilham o mesmo caminho que você vão trocar ideias com outros que estão trilhando o mesmo caminho e que vão te dar ideias de como eles resolveram problemas que você está enfrentando e que vão receber ideias suas para resolver problemas que eles estão enfrentando. É uma troca que diminui a quantidade de obstáculos e que te fortalece para enfrentá-los.

Sigto – É uma soma de ideias…

Vicente – Exatamente. A soma de ideias de todos, que faz uma diferença muito grande e que no caso de tributos ainda tem um potencial de pressiona o governo para mudar esse regime tributário caro e complicado.

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